A descoberta de um “ninho” de celulares roubados
Em São Paulo, uma prática já conhecida foi levada a um novo patamar com o uso de cães farejadores treinados para detectar lítio. Esses animais foram fundamentais na Operação Frankmobile, que ocorreu em um prédio na Rua Guaianases, um local que servia como “ninho” para celulares roubados e frequentemente aparecia nas últimas localizações informadas às vítimas.
Tradicionalmente, o rastreamento de celulares indicava apenas o edifício em questão, mas não o apartamento específico. Com o auxílio dos cães, os investigadores puderam individualizar as buscas, permitindo que a polícia obtivesse autorização para entrar nas unidades que os cães indicassem.
Segundo o procurador de Justiça Luiz Fernando Bugiga, essa inovação na abordagem representou um avanço significativo nas operações policiais.
Operação Frankmobile: um esforço conjunto
A operação, que envolveu mais de 1.700 agentes da Polícia Civil, Polícia Militar, e outras entidades, tinha como objetivo não apenas a recuperação dos celulares, mas também a identificação e desmantelamento de uma complexa cadeia de receptação e modificação de aparelhos furtados. A minuciosa investigação, que durou cerca de dois anos, foi capaz de rastrear a origem dos aparelhos, desde o furto até a venda de partes.
A autorização de busca não era genérica; os policiais precisavam ter justificativas específicas para entrar em cada apartamento. Assim, a combinação de dados da investigação e das indicações dos cães limitou o alcance das ações, garantindo a legalidade das entradas.
A cadeia de receptação e modificação
Os investigadores identificaram que o processo de recepção e modificação de celulares roubados era dividido em várias etapas, começando pelos criminosos que realizavam os furtos.
Posteriormente, as vítimas viam seus aparelhos sendo repassados a receptadores, que, por sua vez, entregavam os dispositivos a grupos especializados em modificar as características dos aparelhos. Um ponto alarmante da investigação foi a rapidez com que os criminosos conseguiam alterar o IMEI, número que identifica cada celular, tornando a recuperação extremamente difícil.
O governador Tarcísio de Freitas alertou que, em alguns casos, o processo de modificação podia levar poucos minutos, comparando-o à troca de um número de chassi de automóveis. Essa rápida transformação permitia que os celulares modificados fossem vendidos em plataformas, complicando o rastreamento por parte das vítimas.
Consequências e futuro da investigação
O Ministério Público, além de executar mandados de busca e apreensão, também requisitou bloqueios patrimoniais que somam R$ 475 milhões.
A Secretaria da Fazenda informou a suspensão das inscrições estaduais de 18 empresas, dando início ao processo de cassação de seus registros. Ao final da operação, foram cumpridos 84 mandados de busca, resultando em 15 prisões.
Com o uso de métodos inovadores e um esforço conjunto das autoridades, a Operação Frankmobile marcou um avanço na luta contra o furto de celulares em São Paulo, mudando a maneira como o problema é abordado e trazendo maior segurança para a população.