A recente vitória dos democratas no Congresso dos Estados Unidos apresenta desafios significativos para a família Bolsonaro, atualmente residente no país. Segundo diplomatas brasileiros, essa nova composição do parlamento tende a ser um espaço de duras críticas direcionadas a Flávio e Eduardo Bolsonaro, que historicamente receberam abrigo do governo de Donald Trump.
Integrantes do Itamaraty expressam que o cenário político se tornará complicado para os filhos do ex-presidente brasileiro, uma vez que a paciência dos parlamentares com Trump e suas tentativas de interferir na América do Sul, especialmente no Brasil, será escassa. O apoio do governo Trump a indivíduos condenados pela Justiça brasileira e defensores de golpes de Estado será alvo de um escrutínio mais rigoroso nos corredores do Congresso.
Um dos diplomatas destaca que a nova conjuntura política é um “mau presságio” para os Bolsonaro, insinuando que eles podem ter que considerar a possibilidade de solicitar asilo em outro país nos próximos dois anos, caso as perspectivas para Trump nas eleições presidenciais de 2028 se tornem ainda mais desafiadoras.
As comissões responsáveis por assuntos internacionais na nova configuração do Congresso oferecem uma plataforma para que os democratas possam questionar, em maior frequência, o acolhimento de Flávio e Eduardo Bolsonaro. Além do impacto direto sobre os filhos do ex-presidente, o resultado das eleições é considerado uma das maiores derrotas políticas de Trump, que agora deve lidar com um Congresso hostil, refletindo a impopularidade do seu governo.
Embora Trump tenha manifestado a intenção de vetar propostas dos democratas, ele não poderá evitar interações necessárias com o Congresso, principalmente em questões essenciais como o orçamento federal. Os democratas, agora em maioria, prometem endurecer cobranças e realizar uma fiscalização mais incisiva sobre as falhas e desmandos da política externa do governo Trump.
Adicionalmente, espera-se uma postura crítica por parte dos democratas em relação à coalizão Escudo das Américas, que poderia intensificar a interferência dos EUA na América Latina, além de reavivar discussões sobre a Doutrina Monroe e seu impacto nas interpretações de intervencionismo americano no continente.
Apesar desse cenário adverso, há a expectativa de que Trump busque encontrar formas de suavizar a relação bilateral com o Brasil para evitar uma exacerbação do conflito no Congresso.