Restauro das Fachadas
O Edifício Desembargador Caetano Pinto de Miranda Montenegro, que abriga o Museu da Justiça no Centro do Rio, teve suas quatro fachadas restauradas, marcando o fim de um período de obras que durou dois anos. Localizado na Rua Dom Manuel, próximo à Praça XV, o icônico Palácio da Justiça celebra 100 anos em 6 de novembro, e agora, com a retirada gradual dos tapumes e andaimes, o prédio resplandece na paisagem do Corredor Cultural da cidade.
Segundo informações do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), a restauração abrangeu mais de 8 mil metros quadrados de fachadas.
O processo incluiu investigação da argamassa e o tratamento cuidadoso da base original de granito preto, imponente com seus oito metros de altura. Todo o trabalho foi supervisionado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), garantindo a qualidade e a integridade do patrimônio.
A escolha da tinta e a recuperação manual de ornamentos danificados também foram partes fundamentais do projeto.
O edifício, construído na década de 1920, foi planejado para abrigar a Corte de Apelação do Distrito Federal, apresentando um estilo eclético resultado do trabalho dos engenheiros Gastão Bahiana e Domingos Cunha, com fachadas projetadas pelos arquitetos Fernando Nereu de Sampaio e Gabriel Fernandes. O prédio está localizado em uma área de proteção cultural.
O presidente do TJRJ, desembargador Ricardo Couto de Castro, enfatizou a importância dessa restauração: — Representa a preservação da história e da memória do Poder Judiciário e de uma edificação que é patrimônio do Rio de Janeiro — afirmou.
Importância Histórica do Edifício
Durante o último século, o antigo Palácio da Justiça foi o cenário de julgamentos que repercutiram em todo o país, incluindo casos notórios como a Chacina da Candelária e os homicídios da atriz Daniela Perez e do jornalista Tim Lopes. Em 1940, também foi lá que o então presidente Getúlio Vargas sancionou o decreto-lei que instituiu o Código Penal.
Inaugurado em 1999, o Museu da Justiça abriga um acervo de mais de cinco mil itens, que incluem documentos do século XVIII, processos judiciais históricos, depoimentos, trajes, obras de arte e mobiliário de diversas épocas.
O espaço também promove exposições e atividades culturais gratuitas.
De janeiro a setembro de 2026, o museu recebeu cerca de 19 mil visitantes, e suas iniciativas virtuais alcançaram mais de 142 mil visualizações e participações.
A diretora do Museu, Silea Macieira, planeja uma expansão da integração do museu com outros centros culturais do Rio: — Queremos fortalecer os laços com outros museus e guias de turismo da cidade, inserindo o Museu da Justiça em novos circuitos de visitação — comentou.