Mulheres no Centro do Carnaval de 2027
Da pajé de Marajó à icônica figura de Xica da Silva, o carnaval de 2027 promete ressoar com a força feminina nas avenidas. Com sambas-enredo de diversas escolas, temáticas sobre a luta contra a violência de gênero e a celebração dos direitos femininos estarão em destaque. Apesar das dificuldades enfrentadas, trajetórias de mulheres que marcaram a história do Brasil farão parte da narrativa da festa popular.
O samba da Mangueira, intitulado “Oyá por nós”, é uma homenagem à orixá Iansã, sinônimo de força e transformação.
Sob o olhar atento do carnavalesco Sidnei França, o enredo exalta a coragem feminina, tão necessária em tempos desafiadores. A apresentação das vozes de Alcione, Daniela Mercury, Leci Brandão e Maria Bethânia, junto com o cantor oficial da escola, Dowglas Diniz, deixa claro que a mensagem é de empoderamento. A letra forte afirma: “Não existe macho que levante a mão pra mim”.
A cantora Daniela Mercury compartilha sua visão sobre a canção, destacando seu papel de acolhimento e fortalecimento.
Para ela, a letra ressoa como um manifesto de poder, fazendo ecoar a voz das mulheres da periferia e da comunidade. A canção também reflete um contexto eleitoral, reforçando a soberania e a democracia do povo brasileiro.
Zeneida Lima e a Beija-Flor
Na sequência, a Beija-Flor presta tributo a Zeneida Lima, a última guardiã marajoara. Com o samba-enredo “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”, a escola destaca a vida da pajé, que aos 91 anos continua a lutar por seu legado e pela educação ambiental.
Zeneida, que fundou a Instituição Caruanas do Marajó, expressa entusiasmo pelo reconhecimento de sua trajetória no carnaval, afirmando que a homenagem é um presente para seu povo e uma celebração das mulheres guerreiras.
Xica da Silva e o Salgueiro
O Salgueiro, por sua vez, traz à tona a figura de Xica da Silva, com o samba “Laroyê Xica da Silva: A História Por Trás da História”. A atuação da atriz Zezé Motta na interpretação ressalta a luta das mulheres para reescrever suas histórias, protestando contra o silêncio imposto ao longo dos anos.
Para a filósofa Helena Theodoro, a presença de sambas feministas é uma transformação significativa, fruto da luta das mulheres negras por igualdade e dignidade. Ela observa a importância das figuras femininas no samba, que desempenham papéis cruciais nas comunidades.
Tia Ciata e o Paraíso do Tuiuti
Por fim, o Paraíso do Tuiuti homenageia Tia Ciata, eternizada como a matriarca do samba.
O enredo “Ciata: a mãe preta do samba” destaca a sabedoria popular e as raízes da cultura brasileira. Os versos exaltam a contribuição dos quilombos e da cultura afro-brasileira, reforçando a riqueza e a diversidade da musicalidade nacional.